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Guitarra: como tirar um bom som do seu equipamento

Guitarra e equipamentos

Guitarra: como tirar um bom som do seu equipamento

Por Michael de Souza

Existe uma eterna batalha entre diferentes marcas e tipos de equipamentos: instrumentos, amplificadores, efeitos, plugins são nosso pão de cada dia. Do outro lado existe a realidade financeira do brasileiro, a brutal carga tributaria e a influencia midiática, tudo isso determinando as nossas escolhas. A oferta de instrumentos e equipamentos é enorme, as diferenças de preços são absurdas e, na maioria das vezes, a diferença de qualidade não segue a mesma proporção.

Como conseguir um bom timbre de instrumento, no meio desta “bagunça”?

Essa é a pergunta de muitos! Acredito que o primeiro (e melhor) investimento deva ser em conhecimento: é importante saber como regular as ferramentas, pois mesmo o melhor equipamento do mundo não toca sozinho!

O instrumento, antes do equipamento

Antes de se preocupar em ter a melhor guitarra, o melhor amplificador ou efeito, estude todas as nuances interpretativas do seu instrumento (tocar forte ou suave, cuide da postura, das diferentes técnicas, etc) pois elas influenciam demais na qualidade do timbre.

 

Na guitarra por exemplo uma mesma nota soará completamente diferente se tocada forte, fraca, com bend, com vibrato, com ligado ascendente ou ligado descendente, com slide, tapping, com diferentes tipos de palheta, ao tocar com os dedos, etc.

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Expanda o seu conhecimento de acordes, estudando inversões, aberturas, voicings, blocos, progressões harmônicas.

É bom cuidar da relação com seu instrumento!

A principal dica é melhorar a nossa técnica. Afinal, o estudo das escalas, de padrões melódicos, frases, etc. utilizando todas as técnicas interpretativas faz muita diferença no nosso timbre.

Lembre-se de que um equipamento reproduz e manipula o que vem das suas mãos. Se a fonte for ruim (suas mãos, sua técnica), o resultado também será ruim, pouco importa a qualidade do equipamento.

 

Certamente, um ótimo equipamento torna as coisas mais fáceis, mas é melhor ouvir um ótimo músico com um equipamento ruim do que um músico ruim com o melhor equipamento. …É claro que um ótimo músico com o melhor equipamento soará ainda melhor!

A tecnologia

Estamos na era da tecnologia dominando todas as áreas da nossa vida, e com a música não é diferente. Hoje com um computador (ou até com um smartphone!) podemos produzir música de qualidade. O que é uma vantagem, também tem suas desvantagens. A super oferta de possibilidades que o mercado oferece nos confunde.

 

Antigamente, o equipamento de um guitarrista, por exemplo, consistia em uma guitarra, um amplificador e em um pedal coerentes com o estilo que seria tocado. Logo, a chance de “erro” era pequena e o resultado estava intrinsecamente ligado à qualidade do músico.

O equipamento de um tecladista seguia a mesma filosofia: se ele quisesse um timbre de Rhodes ele, simplesmente, compraria um Rhodes! Nada de simuladores!

A era do “All in one”

Agora vivemos na era do “All in one”: pedaleiras de guitarra que simulam amplificadores, pedais, outros modelos de guitarras e teclados com milhares de timbres, ou notebooks que podem fazer tudo isso!

De fato, a qualidade da tecnologia atual se equipara, tranquilamente, aos equipamentos que ela emula, e fica quase impossível distinguir “o que é o que” apenas pelo timbre.

Antigamente, se você quisesse um certo efeito, você ligaria o tal efeito no seu equipamento. Hoje voce tem a possibilidade de ligar vários efeitos de uma vez só. E isto, muito frequentemente, mata as suas nuances interpretativas… e por consequência o seu timbre.

A SUPER OFERTA DE POSSIBILIDADES NOS CONFUNDE! Afinal, acho que estamos sendo enganados: para termos um bom timbre não basta comprar equipamentos! É bom cuidar da relação com o nosso instrumento, com a nossa técnica, assim como é bom aprender a regular as ferramentas.

 

Então vai a minha sugestão:

Programe seus efeitos de maneira econômica!

Para obter um bom resultado, tente utilizar o seu equipamento de maneira COERENTE com o seu estilo musical. Por exemplo: as guitarras dos expoentes do country eram, em sua grande maioria, do tipo Telecaster (timbre proeminente nas frequências agudas), então com um modelo de guitarra Les Paul ficará muito difícil soar bem neste estilo. Pesquise o que era utilizado pelos expoentes dos estilos que você tocará. O instrumento tem um peso relevante, nisso.

 

Outra coisa interessante:

Não adianta ter uma guitarra de 300 reais e um pedal de delay de 2 mil, porque este delay vai repetir o som da guitarra de 300 reais. Então a dica é pegar o valor que você dispõe para investir e distribui-lo de forma proporcional em toda a cadeia de sinal!

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Entenda o braço do instrumento, aprenda a montar acordes, escalas e arpejos de uma maneira consciente, toque suas músicas favoritas!

Toque na linguagem correta.

Estude a situação socio-cultural do lugar e a época em que o estilo foi inventado, Copie as frases e aprenda as musicas, para interpretar de maneira coerente.

 

Parece-me que o preço dos equipamentos não está diretamente ligado ao resultado sonoro! Existe o melhor equipamento para você, mas esta escolha é determinada pelo seu gosto e gosto não é parâmetro de qualidade. Não precisa trocar seu equipamento sempre que lançarem uma nova versão. Invista em conhecimento e sua música sempre será ótima, independentemente do equipamento!

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Michael de Souza

Michael de Souza é guitarrista, violonista, produtor musical, professor do Terra da música e coordenador pedagógico e sócio do Instituto Musical Souza e Muzir. Com mais de 20 anos de experiência, Começou a estudar música aos 8 anos no salesiano em Belo Horizonte e logo integrou o coral curumim que acompanhava o cantor Milton Nascimento em turnês pelo Brasil. Aos 9 anos descobriu o violão e aos 12 já dava as suas primeiras aulas para amigos e vizinhos. Estudou teoria musical e violino a partir dos 13 anos e integrou a orquestra jovem da Vale (projeto vale música) e já trabalhava como musico de bandas de baile. Aos 21 montou o Instituto Musical Souza e Muzir (Instituto Musical Jacaraipe na época), escola com uma metodologia de ensino pensada para o aluno, estabelecendo conceitos teóricos de maneira pratica e desmistificando o aprendizado. O instituto hoje é mais do que uma escola de musica, é um espaço de valorização da criatividade e da arte. Michael acompanhou varias bandas e artista capixabas e nacionais, como o cantor Zé Geraldo.

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